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Gases com cheiro: não são os FODMAP

Porque o gás dos FODMAP não cheira, de onde vem o cheiro e o que apontar.

O que cheira não é o que fermenta. Não há uma tabela de cheiro por alimento porque ninguém a mediu; o que se pode medir é o teu, e para isso existe o diário.

O que cheira. No estudo que mediu o gás de dezasseis pessoas e o cheirou, o que se correlacionou com o mau cheiro foi o sulfureto de hidrogénio, com outros gases de enxofre; o hidrogénio, o CO₂ e o metano, que são o volume, não cheiram (Suarez, 1998). Volume e cheiro são duas coisas, e nem sempre andam juntas.

De onde vem o enxofre. De três sítios. Da proteína que chega ao cólon por digerir: em cinco homens numa sala metabólica, o sulfureto nas fezes subiu degrau a degrau ao passar de 0 a 600 g de carne por dia (Magee, 2000); o que se mediu foi a quantidade do dia, não a distribuição, e ninguém mediu refeições soltas. Do sulfato e dos sulfitos da dieta, que chegam em parte ao cólon (Florin, 1991) e que existem sobretudo em pães, frutos secos, vinhos, cervejas e sidras, em parte pela forma de conservação (Florin, 1993). E de compostos de enxofre próprios das crucíferas e da família do alho e da cebola (Kalantar-Zadeh, 2019).

O que baixa o sulfureto. Em laboratório, com fezes humanas, a fibra fermentável e o amido resistente reduzem muito o sulfureto que as bactérias fabricam (Yao, 2018); em pessoas não está medido. Que suba nas fezes faz pensar que sobe no gás, mas isso também não foi medido.

O que não sabemos: se a dieta muda o cheiro. Ninguém o mediu. Sabemos coisas soltas que puxam em direções contrárias. Com menos FODMAP há menos fibra para fermentar, e uma dieta baixa em FODMAP baixa as bifidobactérias e sobe uma bactéria que fabrica sulfureto (Huamán, 2018). Mas também há menos hidrogénio, que é o que essas bactérias usam para o fazer (Christl, 1992), e vão-se o alho e a cebola, que têm enxofre. Qual manda em cada pessoa não se sabe. Se notares mais cheiro ao começar, não é um dano nem um motivo para deixar a dieta: aponta-o.

O que fazer com isto. A proteína não se corta: o que se mediu foi a quantidade total do dia, e cortá-la tem outros riscos. Mantém a fibra que podes: aveia, kiwi, quinoa, cenoura. Vê os sulfitos no rótulo. E aponta «gases com cheiro» no diário: compara-se com o que comeste nas 24 horas anteriores, à parte dos sintomas de FODMAP, e em algumas semanas a app diz-te depois de quê o tiveste mais vezes do que nos dias sem.

Quando não é da dieta. Se a mudança de cheiro vem com fezes gordurosas ou que flutuam, diarreia que não para, sangue ou perda de peso, esses são os sinais de alerta do início da app e veem-se com o médico antes da dieta.

Informação educativa, não conselho médico. Dados compilados de literatura científica pública e verificados alimento a alimento.

O guia

Fodmind

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